O Medo do Vazio por Mauricio Bastos

O Medo do Vazio por Mauricio Bastos

O Medo do Vazio

Os medos….. aahh os medos…

Talvez um dos maiores medos que existem é o medo da morte.

Uma ânsia inconsciente de chegar a este vazio sem controle algum e totalmente desconhecido.

Este medo recorrente, gera ansiedades e sofrimentos contínuos e se desmembra em outros medos seguintes também bem desafiadores: o medo da solidão, o medo da mudança, o medo de perder o controle , o medo do desconhecido, o medo de amar, e assim, o medo do vazio.

A maioria dos medos surgem de uma “mente cheia”, de uma mente identificada com crenças e ideias rígidas. Uma mente inventiva, negativa e sabotadora de podermos desfrutar o presente do viver.

Medo é ausência de Si (a presença), é não estar em contato com o verdadeiro momento que é um presente.

Medo é viver na Mente que mente….

A expressão: “Mente vazia é oficina do Diabo” demonstra como a maioria das pessoas precisam estar identificadas com o fazer, com o pensar, com o ter…

A identificação apegada a algum dogma, ideal ou conceito, traz a segurança de uma pseudoidentidade de quem somos e o que produzimos e quanto mais propagamos as crenças limitantes mais a identidade ilusória se instala.

Sensação do Vazio (falta)

Chegar ao vazio, para a maioria de nós é encontrar a solidão, o silêncio, o abandono, a rejeição, a ausência, a morte.

Estar só, para a maioria de nós, é muito desconfortante e desafiador, pois tem-se claramente uma associação com o vazio, com a falta de pertencimento e conexão.

A vida acelerada, automatizada, robotizada e indiferente ao sentir, são caminhos intermináveis de fuga do vazio.

Estou na correria…

O “parar” e entrar em contato consigo e observar e sentir o que vem. Pode gerar muitos desconfortos, por isso compreende-se a correria do dia a dia em “chegar lá” mas também, a ânsia inconsciente de fugir do momento presente (daqui).

Então, podemos perceber que a percepção do vazio vai depender exclusivamente do observador que o sente.

Podemos olhar(perceber) de duas formas:

O prisma do vazio (plenitude) ou o prisma do vazio (falta)

Colocar em palavras algo que simplesmente é…, uma tarefa muito árdua e complexa.

Sensação do Vazio (plenitude)

O vazio vindo de uma prática meditativa, espiritual, corporal, artística ou terapêutica pode ser muito curador.

No vazio não existe esforço ou luta, existe entrega e confiança, existe a tão sonhada Paz!!

No vazio habita a completude, a abundância, a serenidade.

No vazio nos aproximamos de nossa essência, nos aproximamos de nossa divindade, nos aproximamos de Deus.

Muitas tradições místicas dizem que encontramos Deus no “sopro” principalmente no momento pós-expiração. Quando alguma situação vivida acaba (expiram) e surge o Nada, podemos nos entregar e desfrutar este grande mistério da vida que segue sem controlarmos.

Desenvolvendo o Vazio (plenitude / solitude)

Experimente marcar um encontro diário mais intenso com você mesmo.

A intimidade de estar consigo em solitude é o primeiro passo.

Pode ser uma caminhada, uma prática artística, um almoço prazeroso, um banho relaxante, praticar meditação, artes , yoga, etc ou simplesmente, ficar em algum canto que gostes em silêncio por algum tempo, sem fazer nada (praticar o nadismo).

A partir daí, busque desenvolver práticas contemplativas, silenciosas com menos ações e atrativos externos e que você comece a cultivar estar consigo somente e completamente em silêncio. A meditação passiva, respirações conscientes, yoga, tai chi chuan, contemplar a natureza, boiar numa piscina, praticar não fazer nada (nadismo), etc..

Inicialmente pode vir desconfortos por falta de costume, mas com o tempo de prática o silêncio vai surgindo gradualmente, a desidentificação com o mundo “externo” vai aumentando e podemos simplesmente desfrutar o vazio do momento presente e agradecer….

Experimente

“ O vazio é a porta para a verdade; é o meio, o fim e a realização”
Osho

Este post foi originalmente publicado em 14 de Março de 2019 e atualizado em Novembro de 2020.

 

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